O marketing de qualquer produto ou serviço se baseia em 2 pilares: necessidade e desejo do consumidor. Mais do que simples propaganda ou artifícios de venda, o conceito incorpora a ideia de que os clientes tendem a comprar de empresas que atendam aos seus desejos e às suas necessidades.

E o que isso tem a ver com uma loja flagship? É que, com o passar do tempo, as empresas se dedicaram tanto a conquistar o cliente com base nesses pilares que foi ficando mais difícil para as organizações se diferenciarem umas das outras. É nesse contexto que surgem flagship stores ou concept stores.

Saiba mais sobre esse assunto a seguir:

O que é uma loja flagship?

A flagship store é um espaço pensado para permitir uma experiência de compra especial, um ambiente que proporciona prazer e que encanta o cliente com o ato de compra de um produto.

Para que isso seja possível, esses locais recebem altos investimentos e são pensados em todos os seus detalhes. Isso inclui:

  • as cores;

  • os aromas;

  • o atendimento personalizado e de alta qualidade; e

  • todas as demais características específicas para agradar o público-alvo.

Você já notou que flagship store e concept store são a mesma coisa. Por isso, os termos costumam ser traduzidos como “loja conceito”.

Mas flagship também pode ser traduzido como “nau capitânia”. Nas esquadras com as antigas embarcações, a nau capitânia era o barco principal, no qual se encontrava o capitão comandando todas as embarcações.

No caso da loja, não há a mesma relação de hierarquia, mas a essência da marca, o propósito e o modelo de negócios inovador estão representados ali. Quer um exemplo?

Imagine a Disney com lojas que seguem a essência do negócio e onde uma experiência especial pode ser vivida — graças a investimentos robustos e uma proposta inovadora, com o objetivo de encantar.

Quais são as características das flagship stores?

A autenticidade e a exclusividade da loja são expressadas em características pontuais, que retratam o objetivo de se impor perante as marcas concorrentes com a sua magnitude.

São elas:

  • os valores da marca explícitos na mensagem visual e na comunicação;

  • a publicidade do produto, evidenciando os valores da marca;

  • os eventos para demonstração do produto;

  • a consultoria personalizada;

  • o ambiente único e imponente;

  • os espaços que proporcionam uma vivência sensorial, explorando os sentidos com sons e cheiros;

  • a interatividade.

Os valores precisam ser divulgados como forma de evidenciar a essência da marca, que é um dos objetivos da ação. Isso ajuda a engajar e a envolver o cliente, o que favorece a experiência positiva.

Os eventos são uma forma de explorar o conceito, divulgar o local e o produto e, igualmente, envolver o público. Já a consultoria é elementar na customização dos serviços e no encantamento do cliente.

O ambiente único é parte do conceito e ajuda na vivência sensorial, que pode incluir música e um cheiro produzido por essências aromáticas ou por outro produto que cumpra a função.

A interatividade é consequência de cada detalhe, mas principalmente do objetivo que visa enaltecer a experiência com o ambiente.

Quais marcas possuem uma loja flagship? E como é esse lugar?

O conceito surgiu nos anos 1990 por iniciativa de grandes marcas. Inicialmente eram lojas temáticas buscando quebrar a frieza das lojas de departamento. A 10 Corso Como, em Milão (Itália), e a Colette, em Paris (França), foram pioneiras.

A Niketows ficou famosa depois que criou um ambiente essencialmente esportivo como seu tema. Após visitar uma loja flagship Niketows, você vai saber um pouco mais sobre a marca e sobre o universo dos esportes.

A loja flagship da Barbie possui filiais em todo o mundo. Nelas, é possível customizar uma boneca em inúmeros detalhes, vestir-se como uma ou cuidar das unhas e dos cabelos no spa construído no local. Esses lugares ainda dispõem de uma sorveteria, de um restaurante internacional e de um espaço para festas infantis.

Já na loja flagship da Levi’s, é possível ter o corpo digitalizado por um scanner, o que permite que produzam uma calça totalmente exclusiva e adequada ao corpo, que também pode ser customizado nos detalhes.

No mesmo local há uma banheira especial que permite um mergulho refrescante com a calça, depois o jeans é seco no próprio corpo contando com o auxílio de secadores.

O que muda com as flagships?

As flagships inauguram uma nova forma de relacionamento com o público, baseada na experiência. Além de aproximá-lo da marca, permite registrar informações relevantes a partir da interação proporcionada.

Os altos investimentos e a evidência dos valores do negócio e da essência da empresa servem como uma projeção da visão da organização, o que gera uma atmosfera muito favorável à inovação.

Essa reformulação pode aparentemente significar que essa seja uma iniciativa exclusiva das grandes marcas, mas o movimento tende a forçar empresas de todos os portes a incorporar o modelo, nem que parcialmente.

Talvez, o ponto que determina essa influência é o tipo de experiência proporcionado pela interação com a marca: uma flagship se fixa na memória do cliente.

Ele não vai se esquecer, por exemplo, de que mergulhou de roupa em um tanque refrescante para depois ser secado e ver que a sua calça — com um corte especial e exclusivo, produzido a partir de um scanner digital — ajusta-se perfeitamente ao corpo.

Mais do que lembrar, é muito provável que essa vivência seja contada e repetida para várias pessoas. O efeito de criar um cliente propagandista, que é maior objetivo do marketing de relacionamento, dificilmente é alcançado sem um esforço bastante superior ao longo de muito mais tempo.

Isso não significa que todo pequeno lojista precisa oferecer uma experiência tão significativa quanto a de uma marca mundial. Ao contrário: ele também vai usufruir das ações das lojas dos seus fornecedores, mas tende a incorporar o conceito e desenvolver um modelo que proporcione uma experiência de prazer na compra.

É um assunto empolgante, não é? Deixe o seu comentário e nos conte se o texto ajudou a pensar novas ideias para o seu negócio!